Ultimamente se fala muito da depressão feminina, mas a realidade prova que a depressão masculina é muito mais comum.
Na virada de ano, observei bem o comportamento dos homens e das mulheres. O que eu percebi era que os homens manifestavam pelo olhar uma tristeza e um vazio enormes. Enquanto isso, as mulheres pareciam felizes e animadas.
Era fácil entender porque isso acontecia. Enquanto elas conversavam em grupinhos, toda hora chegava um cara no grupo e tirava uma delas pra conversar. Ou seja, as mulheres manifestavam através da alegria a segurança de serem valorizadas. A mulher é valorizada pelo simples fato de ser mulher! Elas simplesmente estavam paradas e os homens se aproximavam e iniciavam uma conversa. No final da noite, a maioria dos homens estava bêbada e deprimida, com um olhar perdido.
O homem vive a depressão desde sempre, pois a vida dele é marcada por altos e baixos o tempo inteiro. Depois das festas, a maioria dos homens volta pra casa deprimida. Na ânsia de serem valorizados, os mesmos buscam melhorar em vários aspectos da vida deles. Mas repetidamente eles experimentam o fracasso e sentem que não possuem valor. A luta de muitos homens parece uma luta cósmica. Nada do que eles fazem parece ser suficiente para as mulheres. Assim, eles padecem da depressão, pois sentem que todo o esforço é inútil.
A depressão masculina começa desde a adolescência. Nesse período, os homens já percebem a profunda facilidade que as mulheres possuem nos relacionamentos. Nas primeiras festinhas, os homens já percebem o quanto as mulheres são assediadas e valorizadas e o quanto eles são insignificantes para elas. Já começam a sofrer por elas desde cedo. Muitos deles foram desprezados na adolescência e trocados pelos bagunceiros e populares da escola, que eram esboços de cafajestes.
A profunda desvalorização que os homens sofrem enquanto são novos é a causa da depressão dos mesmos. Muitos tomam inúmeros nãos, foras e ficam traumatizados com o fracasso. Muitos desistem de tentar chamar mulheres pra sair depois de tantos fracassos, pois se cansam de tanto sofrimento e experiências ruins e acabam se “contentando” com a solidão. Então eles passam a maior parte do tempo sozinhos e deprimidos. Outros conseguem um relacionamento, mas estão com a auto-estima tão baixa que vivem com medo de serem abandonados, e tratam a namorada como se fosse a última coisa que eles possuem na vida.
A depressão masculina é real e muito forte. Só que os homens não reclamam como as mulheres. Elas falam absurdos quando estão deprimidas e chamam a atenção de todo mundo para os seus problemas, mas eles sofrem calados. Muitos cometem suicídio quando ninguém espera, pois eles escondem a depressão de todos.
Outros manifestam a depressão através de hábitos nocivos. Muitos homens dizem que estão bem, mas fumam e bebem num nível excessivo para quem se diz “feliz”. Ou seja, eles camuflam a depressão com vícios e com excesso de trabalho.
O homem vive na depressão porque é desvalorizado o tempo inteiro. Ele é humilhado pela mulher que ama. Ele sabe que não terá meio nem condições de conquistá-la e que talvez a mesma não seja o que ele imagina.
Além de ser desvalorizado, o homem sofre porque sabe que não achará o tipo de mulher que ele procura. Ele freqüentemente é coerente, mas percebe que o modelo de homem que as mulheres valorizam é incoerente. Essa injustiça provoca no homem um sentimento profundo de impotência em relação à realidade.
O homem muda porque é obrigado a mudar pra sobreviver. Muitos se tornam frios e céticos com relacionamentos, pois sofreram tanto na mão das mulheres que não acreditam mais no amor, e nesse processo eles perdem a capacidade de satisfação com os relacionamentos. A frieza resultante de tanta desvalorização resulta numa anestesia que os liberta da dor, mas que também os tornam insensíveis para a alegria.
A depressão masculina se torna uma frieza na medida em que o homem envelhece, porque tudo o que ele experimenta como bom e positivo agora parece falso e artificial. A felicidade dos homens mais velhos é falsa, é apenas o resultado de inúmeros esforços. Se tais esforços não fossem realizados, ele jamais seria valorizado.
O homem luta a vida inteira pra ser valorizado e para escapar da depressão. E quando finalmente isso acontece, tudo o que as mulheres fazem por ele lhes parece uma grande mentira. Eles simplesmente perdem a capacidade de acreditar nelas, pois agora tem a certeza de que nunca serão valorizados pelos motivos que ele acha corretos, mas sempre por motivos interesseiros.
Por trás da depressão, há um profundo romantismo. O homem deprimido é romântico e acredita que as mulheres amam os homens pelo caráter deles, pela sensibilidade deles e pela inteligência deles. Só que depois de tantos os fracassos, os mesmos aprendem pela pior via que isso não existe. O romantismo das mulheres é absurdamente insensível para as limitações do homem. Aquele que é subestimado jamais será valorizado no sentido romântico almejado inicialmente. E quando for, o será pelos motivos mais interesseiros, como uma promoção de trabalho, ou a compra de um carro de luxo.
A cura da depressão masculina é a cura do romantismo. É muito comum que essa depressão se transforme em raiva e revolta, ou frieza e ceticismo. As mulheres não entendem essa mudança e passam a achar que os homens são insensíveis por natureza, e elas as únicas vítimas da história. Por outro lado, elas são incapazes de entender que a forma como elas desvalorizam os homens os insensibilizam fortemente, e elas o fazem através de seus próprios padrões excludentes.
Enquanto as mulheres são progressivamente desvalorizadas na medida em que envelhecem, o homem já nasce desvalorizado e luta pra mudar isso. A mulher é valorizada simplesmente por ter um corpo atraente e ela não tem mérito nenhum nisso, pois já nasceu assim. Mas o homem precisa lutar para ganhar seu valor, e sofre tanto nessa luta que padece ou da depressão ou da frieza.
A depressão feminina é situacional. Elas ficam deprimidas quando são exigentes demais, ou quando perdem relacionamentos vantajosos para elas, mas não sofrem da depressão da forma crônica como os homens sofrem. Isso ocorre pela seguinte razão: ela não convive com o sentimento de não ter valor, porque não vivem a rotina do desprezo e da desvalorização como os homens vivem. Já o homem comum, o beta, convive com isso por parte delas o tempo inteiro.
As jornalistas balzaquianas falam muito da depressão feminina, do dilema das trintonas, quarentonas e cinquentonas. Mas elas se esquecem que essa depressão é apenas efeito do mau uso de sua liberdade. Mulheres incoerentes e promíscuas tornam-se depressivas na medida em que perdem vantagens sexuais. Ficam deprimidas porque escolheram muito mal, e no fundo elas sabem disso.
Homens comuns sofrem, por mais coerentes que eles sejam. E eles só saem dessa quando descobrem que o que as mulheres chamam de amor é um modelo injusto e interesseiro em quase a totalidade dos casos.
As mulheres querem impor o modelo de felicidade delas à realidade, e na medida em que não conseguem, elas se tornam deprimidas. Enquanto o homem luta pra ter valor, a mulher apenas administra o valor que já nasce com ela.
Fonte: http://questionandofeminino.blogspot.com/2011/01/o-homem-comum-vive-na-depressao.html
