O texto abaixo foi escrito por mim utilizando como base, alguns textos e artigos sobre o tema, espero que gostem.

Bullying

Uma ocorrência cada vez mais constante encontrada nas escolas não apenas do Brasil, mas de todo o mundo é o Bullying esse termo é usado devido a falta de uma palavra em português para esse fenômeno (Fante, 2005). Para Fante (2005) e Dreyer (2005), o Bullying seria a ação de um aluno ou grupo que através de um conjunto de agressões constantes, ridiculariza um colega, sem que exista uma necessidade de que ele tenha feito algum tipo de provocação.

Colovini & Costa (2007) dizem que o Bullying exibe três personagens: O Alvo que na maioria dos casos, são alunos que não conseguem se defender das agressões, isolados socialmente e com baixa auto-estima. Esses alvos podem desenvolver depressão, e segundo Lopes Neto (2005), podem acabar criando uma desconfiança da sociedade, tendo problemas para fazer novas amizades e ter relacionamentos amorosos.

Em casos mais graves de depressão esses alunos podem tentar ou cometer suicídio, e em casos mais extremos como o ocorrido em 20 de abril de 1999 no Instituto Columbine nos Estados Unidos, dois alunos entraram na escola e atiraram contra trinta e sete alunos e funcionários, matando treze deles e depois se suicidando. Esses dois alunos sofriam constantemente com Bullying, o sofrimento que tiveram, junto ao descaso da escola, foram dados como a motivação para o massacre (Moore, 2002; Hickman, 2004).

Para Fante (2005) existem também o Alvo provocador, que seria o aluno que devido a super proteção e mimos por parte da família, possui dificuldades em se enturmar, quererem que tudo seja do seu jeito, e chorarem constantemente, chamam a atenção dos alunos autores, que devido ao jeito do aluno começam a o perturbar.

Além do Alvo, existem também os Autores, ainda segundo Colovini & Costa (2007), esses são os que realizam a ação, são normalmente vindos de famílias sem estrutura e que segundo Lopes Neto (2005), vivem em casas onde tudo se resolve a base da violência e que procuram na escola um bode espiatório para descarregarem suas frustações (Fante, 2008). Esses alunos são propícios a serem delinqüentes no futuro, mas apesar do que leva o aluno a ser um Autor, ele não pode ser sempre vitimizado, e ser responsabilizado por suas ações (Lopes Neto, 2005)

É comum também, segundo Fante (2005) e Lopes Neto (2005), existe também o alvo que assim como o autor procura um bode espiatório para descontar suas frustações. Então esse alvo, procura um aluno que também não pode se defender que passa a sofrer com bullying também.

Entram nessa questão também as testemunhas, que sabem o que está acontecendo, presenciam as agressões, mas por medo de se tornarem novas vitimas não tentam intervir de alguma maneira para ajudar a pessoa que está sofrendo com o bullying, e também os professores que acham que essas situações são normais e que fazem parte do contexto escolar, e ignoram os acontecimentos (Fante, 2005).

Quanto os tipos de agressões, ela são variadas, podem ser físicas, verbais, psicológicas, e a forma mais recente a via internet e celular, chamado também de Cyberbullying. Segundo Fante (2005) as agressões físicas, são bater no aluno sem motivo aparente, o agressor simplesmente levanta de sua cadeira e bate no outro, arremessar materiais também pode ser considerada agressão física. Como exemplos de agressão verbal existem os apelidos e chingamentos ofensivos, feitos sem provocação. De caráter psicológico, existem as ameaças, os roubos de material e os próprios apelidos. O Cyberbullying é mais comum entre meninas do que meninos, consiste em mandar mensagens via internet para agredir o alvo, também colocar no Orkut ou em blogs criticas grosseiras aos colegas, e também contra os professores, espalhando boatos pela Internet.

Sobre a ocorrência, ao passar dos anos o número de casos de bullying diminuem, mas ao mesmo tempo a intensidade deles vão piorando. Nos anos iniciais de formação, é comum que o bullying se resuma a ofensas verbais, depois da sétima série começam as agressões físicas, e no inicio do ensino médio as ofensas voltam, assim como as agressões, e começam também as humilhações, através de boatos espalhados através da escola, abaixar as calças na frente de todos, prender o alvo no banheiro, entre outras situações. E também a ocorrência de ameaças aumenta. Além de agressões e humilhações, existem também os roubos, o aluno alvo é obrigado a dar dinheiro para o agressor todo dia, dividir seu lanche ou até mesmo dar ele todo para o outro (Fante, 2005).

Segundo Lopes Neto (2005) como conseqüências, os alunos que sofrem o bullying passam a se isolar cada vez mais do grupo, tem uma perda no rendimento escolar, passam a não confiar em mais ninguém, podendo sofrer de depressão, refletindo em problemas em sua vida adulta. Já para o aluno que pratica o bullying, muitas vezes eles acabam se marginalizando, ou então por sentimento de culpa também se tornam depressivos.

Essa questão não apresenta uma clara resolução, mas qualquer tentativa de resolver o problema necessita da participação da direção da escola, dos professores, dos pais, e dos próprios alunos. Os professores deveriam prestar mais atenção em alguns comportamentos tanto dos alvos e dos agressores.

Segundo Fante (2005) esses comportamentos podem facilitar a percepção de que o bullying está ocorrendo. Cabe a direção no caso de denuncias de professores e de alunos, tomar atitudes sobre o ocorrido, e criação de projetos contra bullying, segundo Colovini & Costa (2007) a falta de atitudes pode ser atribuída à falta de informação que os profissionais da educação têm sobre o tema, devida a falta de pesquisas sobre o tema no Brasil. Aos pais da vítima cabe mostrar que a culpa não é dele, que isso não ocorre porque ele errou em algo. Aos pais do agressor cabe o papel de identificar o porquê do comportamento de seu filho, e tentar resolver. Aos alunos cabe a diminuição da violência, pois se o aluno vítima revida, ou desconta em outro a violência só aumenta, cabe ao agressor não fazer um colega de bode espiatório e as testemunhas em não fingir que não estão vendo o que ocorre.

Ao aluno que já não está mais na escola só resta procurar ajuda psicológica para tentar superar o que aconteceu em seu passado (Lopes Neto, 2005).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DREYER, D.. A brincadeira que não tem graça. Portal Educacional. 2005. Disponível em: . Acessado em 20 de abril 2009.

COLOVINI, C. E.; COSTA, M. R. N.. O FENÔMENO BULLYING NA PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES. CEMEOBES. 2007. Disponível em:
< www.bullying.pro.br/artigo_cientifico.pdf>. Acessado em 20 de Abril 2009.

LOPES NETO, A. A.. Bullying – comportamento agressivo entre estudantes. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, vol. 81, n. 5, novembro 2005. Disponível em: . Acessado em 14 de Abril 2009.

FANTE, C.. BRINCADEIRAS PERVERSAS. Mente & Cérebro, Duetto Editorial, São Paulo, ed. 181, fevereiro 2008.

FANTE, C. Fenômeno BULLYING. 2. ed. Campinas: Verus Editora, 2005. Capítulo 1 – Fenômeno bullying. p. 27 – 90.

MOORE, M.. Tiros em Columbine (Bowling for Columbine). [Filme-vídeo]. Produção e direção de Michael Moore. Estados Unidos, United Artists Entertainment, 2002. DVD, 120 min.. color. son.

HICKMAN, D.. Hora Zero: Massacre no Colégio Columbine (Zero Hour: Massacre at Columbine High). [Filme-vídeo]. Produção e direção de David Hickman. Estados Unidos, Discovery Channel, 2004. TV, 43 min.. color. son.